Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Catrina

A Catrina devia estar presa, encarcerada numa prisão sem janelas, a pão e laranjas e a água racionada.
Esta mulher misteriosa e, atrevo-me a dizer, perigosa, é a responsável (tenho eu para mim) pela existência dos pombos e das pombas e das pombinhas e dos pombinhos do nosso lindo Portugal.
Quem a mandou deixar que elas andassem de mão em mão, hun?? Quem foi que lhe disse que elas podiam ir ter à Quinta Nova e ao Pombal de S. João, hã?? Se ela tivesse tido cuidado as pombas não teriam andado por aí a prevaricar e a reproduzir-se como coelhos. Ao menos que lhes desse um contraceptivo qualquer... Mas não... A Catrina devia ser feminista e a favor da liberdade sexual das fêmeas... Grande estúpida, isso sim!!!

Lembro-me que, no dia do meu casamento, com a mania imbecil que as pessoas têm de atirar arroz aos noivos, à saída da Igreja (que estava toda iluminada e eu estava já casada) e aos meus pés, corria um lindo oceano (leia-se eram mais que as mães) de pombos e pombas horrorosas, prontinhas para se alimentarem do arroz que caía do céu... E, vá lá vá lá, que não se lembraram de me poisar no cabelo que estava, ele próprio, pejadinho de baguinhos de arroz...
Claro que me recusei a dar um passo que fosse. Claro que disse que afinal não tinha fome e que até nem me apetecia jantar... Claro que me recusei a mexer... As pombas, essas, com aquelas cabeças estúpidas e ridículas para trás e para a frente, ignoravam-me e riam-se de mim que eu bem as ouvia!! Nojentas!!!
Se não fosse a prontidão de um dos convidados em enxotá-las com um guarda-chuva previdente, ainda a esta hora lá estava, porque é sabido e bem evidente que eu jamais passaria no meio daquele pombal.

As pombas são bichos nojentos, são ratazanas com asas.
Aquilo é bicheza para trazer no corpo um monte de desgraças e misérias e pragas e doenças.
Quem é que, no seu juízo perfeito, vai para o parque dar milho a estes seres?? Quem é que compra (do verbo gasta dinheiro) a comprar comida para estas criatura nojentas??
E nem me venham falar da simbologia da pombinha da paz e da pombinha do raminho de oliveira a anunciar o fim do Dilúvio ao Noé. Isso era Deus Nosso senhor distraído e, ao tropeçar, num monte delas no parque, foi o primeiro bicho que lhe veio à idéia... Um periquito ou um canário tinham feito um trabalho melhor e mais bonito!! E com um som mais simbólico, que aquele cucurrurrurru faz um filme de terror parecer uma história infantil.

A Catrina devia ser era apedrejada, pensando bem!!!
Nojo! Porca! Nojo!

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Coloured

Estas modernices politicamente correctas começam a dar-me um bocadinho nos nervos.
Agora já não há pretos nem brancos nem índios. Há negros, caucasianos, afro-americanos, nativos e depois há os delinquentes da Amadora e da Bela Vista mas isso é toda uma outra história.
Eu ainda sou do tempo em que os meus amigos pretos se riam com o esforço que as pessoas faziam para não os melindrar, chamando-os de pretos. E eles diziam que ninguém se ralava que nos chamassem brancos, apesar de sermos mais ou menos cor-de-rosa.
Mas, nos dias de hoje, as pessoas são africanas mesmo que tenham nascido e crescido no Bairro do lado.
Sempre odiei a expressão "pessoas de cor". Porque de cor somos todos, valha-me Deus, a menos que haja aí um ou outro mais adoentado e que esteja transparente, o que também não me parece nada bem. Ser de cor é uma evidência, não é uma raça.
No meio deste conceito de afro-americano, vulgo "pretos-não-assim-tão-pretos-nascidos-e-criados-em-terras-do-tio-sam" deixo-vos com três das melhores amostras que aquela terra tem de gente linda de morrer...

Africanos, americanos, pretos ou assim-assim... who cares?? São lindos de morrer e era prá vidinha... ui, ui....




Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Fada dos dentinhos?

Sou uma pessoa de hábitos continuados e as mudanças causam em mim, inicialmente, algum desconforto, mesmo que sejam mudanças para melhor.
E foi assim, partindo deste auto conceito basilar que, depois de duas décadas de fidelidade a um dentista, me vi forçada a mudar para uma dentista.
Sou sempre mais favorável a médicos homens, é verdade, porque acalento esta certeza estúpida que são substancialmente menos brutos que as mulheres. Veja-se, por exemplo no caso dessa área tão fascinante como é a ginecologia, esta parece-me ser uma verdade incontestável.
No entanto, nesta coisa de dentistas, e porque a higiene oral é tão maltratada e tão importante, decidi-me a mudar, a bem das minhas lindas dentuças.
Assim, depois de algumas pesquisas, fui parar ao consultório da Dra. Ana. Agradou-me os tenros 28 anos da moça (que perguntei pelo telefone, à cautela, quando marquei a consulta, não fosse sair-me uma jurássica de chave inglesa e martelo nas mãos), a ligeirinha pronúncia do Norte (estudou no Porto, pelo que me disse) e a extraordinária simpatia.
Fala pelos cotovelos (o que no meu caso é uma mais-valia) e soube descontrair-me o suficiente para ter querido marcar nova consulta.
Entrei no consultório declarando que odeio dentistas e os barulhos que os instrumentos dele fazem. Ela riu-se e disse que isso era dantes, que hoje já não era dramático ir ao dentista. Esta foi a parte em que ela mentiu ligeiramente. Os coisinhos continuam a fazer barulhos insuportáveis que não sei se chegam a causar dor, se apenas vontade de socar alguém.
Os cheiros também continuam a aborrecer-me. Ele é o látex das luvas dela, ele é aquele cheiro medonho daqueles bochechadeiros todos. Arghhhh…
Ainda me disse, antes de começar a limpeza e polimento que, caso estivesse a magoar-me, poderia levantar a mão para ela saber (dado que aquela posturazinha parva de boca aberta e aspirador na boca, deixa pouca margem para as palavras e para os insultos).
Tentei comportar-me, juro. Encolhia-me (ao ponto de, a meio, estar já a meio da cadeira), contraía-me e torcia-me até que, de repente, aquele barulhinho decidiu o fim do meu tormento e foi ver-me a levantar as duas mãos e as duas pernas (e mais mãos e pernas que houvesse) clamando piedade e misericórdia…

Apesar deste tanto, adorei a senhora e, de hoje a oito dias, lá estou eu outra vez, a tratar de uma dentuça traseira.

(parece muito mal dizer que há mais de quatro anos que não ia ao dentista, pois parece? Azar, já disse.)

Domingo, 5 de Julho de 2009

Match Point

Sabemos que o Ténis é mesmo importante para ele quando nos vemos obrigadas (sob ameaças de beicinho e de um vá-lá-vá-lá-anda-lá) a subscrever a Sport TV só para ver a final de Wimbledon em directo...



Ai, ai... Ao menos lavo as vistinhas que, de facto, o Roger é um pintas fantástico...


Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Carrilhão de Mafra

A mim enerva-me um bocadinho, confesso, esta moda mais ou menos recente que os adolescentes têm de trazer penduricalhos no telemóvel. Ele é a Hello Kitty, ele é ursinhos e bichezas múltiplas, ele é guizos e chocalhos, ele é florinhas.
É sabido que os telemóveis servem para telefonar. Ultimamente, quer-me parecer que até há uns que tiram fotografias, fazem videos, tocam músicas e sintonizam a Radio Cidade. Até aqui, nem acho grave. Mas esta mania dos penduricos não deixa de me fazer pensar que, em andamento (é um telefone móvel), há-de fazer uma chinfrineira que há-de perturbar a ligação.
- E então, chavala, o pipal tá nessa de ir morfar... bora curtir a cena?
- tchlin, catchin, ya, bute, catchin, tchalin.

E depois dizem que os adolescentes têm dificuldade em comunicar... Pudera....

(mais grave ainda é ver os pós adolescentes, gente já com uma certa idade para ter juízo, já até a roçar os trinta, com pendurezas similares... Mas esta gente não tem noção dos limites da piroseira?)

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Desactivar

Comprei este fim-de-semana, por extrema necessidade, uma revista dita para mulheres. Quando era adolescente (e nos primeiros anos de Faculdade) comprava com relativa assiduidade (leia-se três ou quatro revistas por ano) mas depois vieram os livros e as revistas a sério e deixei-me disso. Nunca devo ter sentido saudades porque há mais de dez anos que não comprava nenhuma. A verdade é que precisava muito de uma coisa que lá vinha, e não tive outro remédio senão perder o amor a dois euros e noventa cêntimos e comprar a dita.

Juro que não entendo, e cheira-me que nunca vou entender, como é possível aquele tipo de revistas, efectivamente, vender. As primeiras oito folhas (eu contei, juro!!) são de pura publicidade. Ele é perfumes, cremes para tudo e mais um par de chinelos, shampoos, batons e sei lá mais o quê. Tudo com moças magras e giras, fabricadinhas em photoshop e com ar de quem não é muito feliz.
Os conteúdos dos (ahahahaha) artigos são... er... como dizer... miseráveis? Fúteis, desprovidos de massa encefálica, ocos, sem o mínimo de senso. Oscila-se entre o que se pode (??) e não pode usar no Verão, aos dez itens irresistíveis (???) para o guarda roupa, passando pelas óbvias cinco (cinco???) maneiras de desencalhar um casamento.

Mas ele há gente que efectivamente compra isto e lê??
Estou chocada..

Volta "Maria" que estás perdoada... Sempre tinha aquele consultório sexual em que moços que se masturbavam em pinhais, mantinham a esperança secreta de serem pais de um pinheiro... Isso sim, é importante, valha-me Deus!!!!

Oooops....

E eu, feita palerma, deixei passar o teu dia. Shame on me!!!!
Parabéns, meu querido!! Que tenha sido um dia de verdadeira festa!!